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(Mito) Tosquiar ou não cães e gatos?

Atualizado: 21 de mar.

A tosquia tem vindo a ser, na última década, cada vez mais usual e requisitada por detentores de cães e gatos durante todo o ano, mais frequentemente nas alturas de maior queda de pêlo (que ocorre com as mudanças de estação), sendo no entanto a informação sobre a sua recomendação pouco clara e muitas vezes infundada.


A tosquia de um animal é sempre recomendada se esse procedimento contribuir para o melhoramento da saúde e bem-estar do próprio animal e de toda a família, sendo a realização correcta do mesmo essencial para se obterem os melhores resultados, nomeadamente respeitar o comprimento mínimo de corte do pêlo (varia de animal para animal), considerar o clima onde o animal se insere no momento da tosquia, utilizar material indicado a cada tipo de pêlo e ter em conta os cuidados de pêlo e pele que o animal tem em casa.


A tosquia curta pode ser recomendada dependendo de vários factores:


  • estado geral do pêlo - num animal que não é escovado regularmente ou de todo, o pêlo em mau estado e o pêlo morto podem criar emaranhados, impedindo a pele de respirar e por consequência provocando a inflamação da mesma, podendo mesmo vir a gerar casos complicados de dermatites e suas consequências

  • idade e do animal - cães e gatos mais velhos têm maior dificuldade em arrefecer

  • meio ambiente - animais que vivem em zonas de muito calor, em espaços com pouca circulação de ar podem sofrer de sobreaquecimento

  • obesidade - animais com excesso de peso são menos tolerantes ao calor

  • problemas digestivos - a ingestão de pêlo em excesso por lambedura pode criar problemas gástricos, principalmente em animais idosos

Frisamos que o pêlo só conseguirá realizar a sua função de arrefecimento se se mantiver o mesmo em perfeito estado, caso contrário a regulação térmica não será eficaz.


Consideremos que um animal em sobreaquecimento é um animal que terá menos actividade física, pois irá reduzir a energia consumida ao máximo por forma a diminuir a produção de calor. Um cão ou gato inactivo irá desenvolver vários problemas de saúde:


  • obesidade e alterações nutricionais, se não se ajustar a quantidade e composição da ração ao desgaste físico

  • rigidez articular e muscular

  • problemas cardíacos

  • afecções onicológicas (desgaste insuficiente das unhas pode levar a lesões das almofadas plantares)

  • alterações locomotoras (devidas à rigidez muscular/articular e ao comprimento das unhas)

Consideremos ainda que um animal com queda de pêlo excessiva terá mais prurido e consequentemente maior necessidade de se lamber e mordiscar a pele para alívio da comichão (mais comum em gatos), ingerindo quantidades de pêlo que poderão ser prejudiciais, levando a:


  • má absorção dos nutrientes

  • úlceras gástricas

  • obstrução intestinal

Tendo isto em conta, é fácil entender que a tosquia de um cão ou gato pode trazer mais vantagens que desvantagens, pois realizando uma tosquia curta de forma informada e respeitando as exigências dermatológicas do animal em questão, evita estas situações.


Poderá a tosquia vir a ser desnecessária? Sim, se a escovagem e o banho forem realizados de forma regular, esses procedimentos por si só permitirão a circulação do ar, deixando a tosquia terapêutica de ser necessária.


Relativamente às contraindicações de uma tosquia curta, não se recomenda tosquiar:


  • animais imunodeprimidos

  • animais que estejam expostos ao sol nas alturas de maior calor (podem sofrer queimaduras solares)

  • animais que vivam em ambientes com temperaturas inferiores a 15ºC (risco de hipotermia)

  • animais sujeitos a agressões físicas à pele (cães de caça, cães de busca)


Mas e então um animal que tem todos os cuidados de pele e pêlo necessários à manutenção da saúde dermatológica, pode ser tosquiado para diminuir a quantidade de pêlo lá em casa?


Sim, apesar de não incentivarmos. Contudo, se a relação entre o animal e a restante família ficar comprometida e se a tosquia em si não prejudicar a saúde geral do cão ou gato (respeitando tudo o que descrevemos anteriormente), a tosquia poderá ser realizada sem problema algum.


Por fim, relativamente à questão do crescimento irregular pós-tosquia, a nossa experiência mostrou-nos que a alopécia está relacionada com problemas nutricionais ou hormonais, sendo na maioria das vezes notória a escassez de pêlo pré-tosquia na zona que à posteriori não terá o crescimento de pêlo normalizada. Nesses casos específicos, aconselhamos sempre análises ao sangue para descarte de problemas endócrinos e alteração da alimentação para cobrir as necessidades nutricionais.


Existem estudos bibliográficos que referem alopécia pós-tosquia por alergia à lâmina da máquina de tosquia, mas será importante ter em consideração que a alergia referida se deve:


  • à temperatura da lâmina, pois a mesma pode queimar o pêlo e a pele e afectar o folículo piloso, atrasando o crescimento do pêlo

  • à má higienizacão da lâmina, causando infecções de pele que por sua vez afectarão o folículo piloso e atrasarão o crescimento do pêlo

  • à integridade do fio de corte da lâmina, podendo rasgar o pêlo ao invés de cortar, puxando o pêlo durante a tosquia e causando inflamação do folículo piloso, atrasando o crescimento do pêlo


Posto isto, uma tosquia realizada de forma informada, cuidadosa e profissional, respeitando as necessidades específicas de cada animal, nunca irá afectar negativamente a saúde do seu cão ou gato.


Carlotta Hohenstein

CCP F671100/2018

Enfermeira Veterinária

Solar do Cão e do Gato

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